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quinta-feira, 27 de agosto de 2026
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Projeto Caminho de Reconstrução encerra 3ª edição em Brumadinho com relato de participante

Projeto Caminho de Reconstrução encerra 3ª edição em Brumadinho com relato de participante
Projeto Caminho de Reconstrução encerra 3ª edição em Brumadinho com relato de participante
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“Foi essa rede que me sustentou. Se eu não tivesse isso, acho que eu não conseguiria estar aqui.” O relato de uma das participantes marcou, na quinta-feira (6/8), o encerramento da 3ª edição do projeto “Caminho de Reconstrução: Encontros Restaurativos para Mulheres em Situação de Violência Doméstica”, realizado pela Defensoria Pública de Minas Gerais (DPMG), em Brumadinho.

A iniciativa tem como objetivo acolher mulheres que enfrentam ou já enfrentaram relações abusivas e agressões em seus lares, moradoras da comarca de Brumadinho, incluindo os distritos de Aranha, Conceição de Itaguá, Piedade do Paraopeba e São José do Paraopeba. Nesta edição, realizada pela primeira vez em parceria com o Centro de Referência Especializado de Assistência Social (CREAS) do município, as atividades foram conduzidas pela defensora pública Juliana da Silva Martins, à frente do projeto, e pela psicóloga Ágata Ferreira Moreno, que acompanhou todos os encontros.

Ao longo de oito encontros, as participantes tiveram acesso a palestras, rodas de conversa, dinâmicas de acolhimento e atividades voltadas à educação em direitos, apresentação da Rede de Proteção, autoestima, empoderamento, saúde, autonomia, projeto de vida e estratégias práticas para o enfrentamento do ciclo de violência. A proposta do “Caminho de Reconstrução” é oferecer um ambiente seguro para que as mulheres possam compartilhar vivências, fortalecer vínculos, receber apoio jurídico e psicológico e encontrar possibilidades de recomeço por meio da educação em direitos e das dinâmicas realizadas após as palestras.

Durante a cerimônia de encerramento, as participantes receberam certificados e foram convidadas a compartilhar suas experiências. O momento também foi dedicado ao reconhecimento das profissionais, palestrantes e convidadas que contribuíram para a realização dos encontros.

Para a defensora pública Juliana da Silva Martins, a terceira edição foi marcada pela confiança construída entre as participantes e pela força da rede de apoio. “Ao longo desses oito encontros, nós não apenas assistimos a palestras. Nós construímos um espaço seguro de escuta e acolhimento”, afirmou. Juliana destacou que o projeto permitiu às mulheres reconhecerem seus direitos, fortalecerem a autoestima e perceberem que não estão sozinhas. “O Caminho de Reconstrução não é uma linha reta. Ele é feito de idas e vindas, de coragem e de cautela. O importante é que vocês saibam que, independentemente da fase em que estão, vocês não são mais invisíveis. Vocês têm voz”, disse.

A defensora também ressaltou o aprendizado proporcionado pela convivência com o grupo. “Aprendi sobre uma resiliência que não está nos livros de Direito. Aprendi sobre a força de seguir em frente mesmo quando o mundo parece desabar. Aprendi que a sororidade, essa união entre mulheres, é a ferramenta mais poderosa de defesa que existe”, declarou.

A psicóloga Ágata Ferreira Moreno afirmou que o encerramento representa o fim de um ciclo, mas não o término das histórias iniciadas no projeto. Segundo ela, os encontros foram pensados para que cada mulher pudesse recuperar aquilo que a violência muitas vezes tenta retirar: a voz, o pertencimento, a esperança e a certeza de que não está sozinha. “Vocês não foram apenas participantes. Vocês foram protagonistas deste projeto. Cada uma contribuiu com sua história, com sua força e com sua maneira única de inspirar outras mulheres”, afirmou Ágata. Ao relembrar as dinâmicas realizadas após as palestras, a psicóloga destacou a importância da escuta e do respeito ao tempo de cada participante. “No círculo, ninguém fica à frente ou atrás. Todas ocupam o mesmo lugar. Todas têm voz. Todas são ouvidas”, disse.

O secretário municipal de Desenvolvimento Social, Washington Moreira de Carvalho, também participou da cerimônia e ressaltou a relevância da articulação entre instituições para garantir atendimento às mulheres do município. Ele agradeceu a parceria com a Defensoria Pública e afirmou que os desafios são grandes, mas exigem união de esforços entre as políticas públicas, a rede de assistência social e os órgãos do sistema de Justiça. Em sua fala, o secretário também defendeu o fortalecimento dos espaços de participação social, como o Conselho Municipal da Mulher, para que as políticas públicas sejam direcionadas às necessidades reais das mulheres de Brumadinho.

O depoimento de uma das participantes sintetizou o alcance da rede de proteção e do projeto. Ela contou que chegou ao atendimento em um momento de grande fragilidade e que, ao longo do percurso, encontrou apoio no CREAS, na Defensoria, na polícia, em profissionais da rede e nas demais mulheres do grupo. “Às vezes, a gente passa tanta coisa e não percebe o que está passando. Quando descobre, geralmente é porque já chegou no fundo do poço, quando o corpo e a saúde já não aguentam mais”, relatou. Segundo a participante, a rede de apoio foi essencial para sua decisão de romper com a violência. “Eu preferi comer arroz com ovo, acender uma vela se não tivesse luz, ficar no escuro se fosse preciso, mas não passar mais por essa vida. É só quando a gente decide isso que consegue sair”, afirmou. Ao final, ela pediu que o trabalho continue. “Continuem, deem força. Se foi essencial para mim, tenho certeza de que é para muita gente”, disse.

Para Juliana da Silva Martins, o encerramento dos encontros não significa o fim do compromisso da Defensoria Pública com as participantes. “Muito obrigada por confiarem na Defensoria Pública e no CREAS. Muito obrigada por permitirem que fizéssemos parte da reconstrução de vocês. Vocês são gigantes”, concluiu. Os nomes e as imagens das participantes não foram divulgados, a fim de preservar sua intimidade e privacidade.

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