Uma pesquisa da Universidade Federal de Uberlândia (UFU) está analisando os impactos das apostas digitais, conhecidas como bets, na saúde mental e financeira da comunidade acadêmica. O estudo é conduzido pelo Grupo de Estudos sobre Saúde Mental na Integralidade do Cuidado (Gesmic), da Faculdade de Medicina da UFU.
A coleta de dados já está em andamento através de um questionário online anônimo, que ficará disponível até julho de 2027. O objetivo é obter respostas de 1.060 participantes, incluindo estudantes, professores e funcionários, para identificar vulnerabilidades como vícios e superendividamento, visando a criação de políticas públicas e redes de apoio dentro da universidade.
As apostas digitais permitem que os usuários apostem em eventos esportivos e jogos de cassino por meio de dispositivos móveis. A legalização das apostas no Brasil ocorreu com a Lei nº 13.756/2018 e a Lei nº 14.790/2023. O Ministério da Saúde considera o transtorno do jogo um problema de saúde pública, com potenciais prejuízos financeiros e emocionais.
O Gesmic decidiu focar seu estudo na comunidade acadêmica após perceber conversas frequentes sobre apostas entre alunos e profissionais. A coordenadora do grupo, professora Marcelle Aparecida de Barros Junqueira, destaca que o fácil acesso às plataformas digitais pode aumentar o risco de vícios, especialmente em um ambiente universitário altamente conectado.
O estudo utilizará escalas validadas pela Organização Mundial da Saúde (OMS) para avaliar transtornos de ansiedade, depressão e outros problemas relacionados. Os dados coletados ajudarão a UFU a desenvolver campanhas e serviços de apoio para os mais vulneráveis, considerando que o superendividamento pode afetar o desempenho acadêmico e a permanência dos estudantes.
A participação no questionário é aberta a todos, independentemente de apostarem ou não, para garantir um panorama real sobre o hábito na universidade. Para aqueles que buscam ajuda, a UFU oferece programas de apoio nas pró-reitorias de Assistência Estudantil e Gestão de Pessoas, além de recomendações para procurar as Unidades Básicas de Saúde e os Centros de Atenção Psicossocial no Sistema Único de Saúde.