A Amazônia enfrenta uma grave crise hídrica, com evidências de secagem progressiva observadas ano após ano. Pesquisadores alertam para a redução da disponibilidade de água e o enfraquecimento dos ciclos naturais de chuva na maior floresta tropical do mundo, que abriga cerca de 12% da água doce do planeta.
O período de estiagem, que anteriormente durava quatro meses, agora se estende para até seis meses em algumas áreas, enquanto eventos climáticos extremos se tornam mais frequentes. Desde junho, o estado do Amazonas está em emergência climática e ambiental devido às ondas de calor e queimadas intensificadas pelo fenômeno El Niño.
A escassez de água não afeta apenas a vegetação, mas também a segurança hídrica, a agricultura e a saúde da população, especialmente dos habitantes da região amazônica. A cultura e o modo de vida de comunidades indígenas e tradicionais estão ameaçados, uma vez que dependem de rios e córregos para sua subsistência.
Dados apresentados durante o Curso Amazônia 2030 indicam que a região enfrenta um declínio contínuo das chuvas há mais de 20 anos, resultando na maior seca dos últimos 40 anos em 2024. Isso isolou cerca de 2 mil comunidades e causou uma temporada recorde de incêndios, devastando mais de 17 milhões de hectares de floresta.
Os impactos na agropecuária são significativos, com 64% das pastagens brasileiras apresentando baixo vigor. Fazendeiros têm adotado medidas de adaptação, como a construção de cisternas e poços, para garantir a sobrevivência do gado, refletindo a urgência da crise.
O desmatamento agrava a situação, pois a vegetação é essencial para a geração de chuvas. A remoção das árvores compromete a capacidade da floresta de reciclar umidade, intensificando a seca e criando um ciclo vicioso. Estudos apontam que a destruição da floresta pode reduzir a geração de energia das hidrelétricas em até 10%, impactando a economia nacional.
Com a intensificação do El Niño prevista, a Amazônia pode enfrentar temperaturas ainda mais altas e um aumento no risco de incêndios florestais. Para evitar um colapso, é crucial implementar uma estratégia integrada que inclua o combate ao desmatamento e a adaptação às novas condições climáticas, valorizando a floresta como aliada na mitigação das mudanças climáticas.