A historiografia africana frequentemente se concentra na colonização, escravização e apartheid, negligenciando a organização das sociedades africanas antes da chegada dos europeus. Antes da colonização, o continente era marcado por reinados de reis e rainhas, mas também pela escravização.
É um equívoco considerar que a escravização colonial e a pré-colonial são idênticas. Embora compartilhem semelhanças, suas diferenças são significativas. A escravização colonial é caracterizada por genocídio e a remoção forçada de milhões de africanos de suas terras, enquanto a pré-colonial envolvia a aquisição de escravizados por meio de guerras, dívidas e servidão voluntária, sem a remoção de suas nações.
Alguns reinos africanos possuíam leis que regulamentavam a escravização, reconhecendo até mesmo a liberdade dos escravizados. Contudo, na prática social, esses indivíduos não eram considerados cidadãos, apesar de serem reconhecidos como humanos pela sociedade. Em contraste, a escravização colonial não apenas negava a cidadania, mas também a humanidade do escravizado.
A complexidade da escravização pré-colonial revela que, embora houvesse regulamentação legal, a cidadania social dos escravizados era negada. Essa narrativa é frequentemente contada sob a perspectiva dos que escravizaram, deixando de lado a experiência dos que sofreram as consequências da escravização. Assim, é crucial questionar quais são as realidades ocultas da escravização pré-colonial.