Na quinta-feira, 10 de setembro de 2026, especialistas discutiram as políticas públicas voltadas para mulheres, população LGBTQIAPN+ e pessoas em situação de rua em Minas Gerais. O jornalista Hugo Rafael conduziu a conversa com Viviane Coelho Moreira, pesquisadora do NEPEM e doutoranda em Ciência Política, Enrico Poletti, pesquisador do DIVERSO-UFMG, e André Luiz Freitas Dias, professor da UFMG e coordenador do Observatório Brasileiro de Políticas Públicas.
O programa Conexões, que visa abordar temas relevantes para a administração estadual durante a campanha eleitoral, encerrou uma série de debates que incluiu Educação, Saúde, Segurança Pública, Meio Ambiente e Mobilidade Urbana. A discussão de hoje focou em como o estado pode garantir os direitos de grupos marginalizados, que enfrentam problemas como a violência.
Dados do Anuário Brasileiro de Segurança Pública 2026 revelam que Minas Gerais concentra mais de 11% das vítimas de feminicídio do Brasil, com um aumento significativo de casos de violência psicológica e agressões contra mulheres, especialmente as negras. O anuário também aponta um crescimento de 23,3% nos casos de lesão corporal contra a comunidade LGBTQIAPN+ e um aumento nos registros de homofobia e transfobia.
Além disso, a situação das pessoas em situação de rua é preocupante, com um levantamento da UFMG indicando que a população nessa condição ultrapassou 34 mil em 2025. As políticas públicas ainda falham em garantir os direitos e a inclusão dessas pessoas, assim como a desigualdade econômica afeta as minorias sociais.
Os convidados enfatizaram a importância do momento eleitoral para refletir sobre as condições dos grupos vulneráveis e a sub-representação de mulheres e pessoas LGBT+ em posições de poder. A falta de dados sobre essas populações dificulta a elaboração de políticas públicas adequadas.
Viviane Coelho alertou sobre o aumento dos feminicídios e a necessidade de políticas integradas, enquanto Enrico Poletti criticou a superficialidade do debate sobre a comunidade LGBT+. André Dias destacou a falta de ação do governo estadual em relação aos direitos das pessoas em situação de rua.