A Rede Feminina de Estudos de Violência, Justiça e Prisões (Rede Femjusp) da UFMG se dedica a pesquisar a violência de gênero e a formação de pesquisadoras na área. O grupo atua para que as mulheres sejam efetivamente incluídas nas políticas públicas, especialmente diante do alarmante aumento de crimes como o feminicídio.
Apesar dos avanços na legislação, o Brasil registrou 1.568 feminicídios em 2025, o maior número da última década. A professora Ludmila Ribeiro, uma das idealizadoras da rede, destaca que a atuação do grupo busca unir os estudos de segurança pública e a questão feminina, abordando as mulheres não apenas como vítimas, mas também como autoras de crimes.
A pesquisa da Rede Femjusp envolve a análise de demandas tanto induzidas pelos poderes públicos quanto propostas pelo próprio grupo, visando entender a aplicação das leis e a eficácia das medidas protetivas. Ludmila enfatiza a necessidade de discutir o impacto da prisão de mulheres nas suas famílias, especialmente em relação aos filhos.
Além da pesquisa acadêmica, a rede busca alcançar o público externo com iniciativas como jogos educativos que discutem direitos no sistema prisional. O objetivo é democratizar a informação e gerar debates sobre a efetivação dos direitos previstos em lei.
A inclusão dos homens no debate sobre igualdade de gênero também é considerada essencial pela professora, que defende a conscientização desde a infância. Medidas protetivas e a responsabilidade do Estado em relação a elas são temas que precisam ser repensados, segundo a pesquisadora.