Usuários de aplicativos de entrega de alimentos dedicam menos horas a atividades físicas e domésticas, permanecendo mais tempo sentados ou diante de telas. Essa é uma das principais conclusões de um estudo realizado na Escola de Enfermagem da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), que avaliou 839 adultos e revelou que 76,52% deles utilizam serviços de delivery, com 27,1% fazendo pedidos pelo menos uma vez por semana.
A pesquisa, publicada no Journal of Food Sciences and Nutrition, destacou uma forte associação entre o uso regular de aplicativos de entrega e o sedentarismo. Indivíduos que permanecem sentados por oito horas ou mais diariamente apresentaram o dobro da prevalência de uso regular desses serviços, em comparação com aqueles que ficam sentados por até três horas. A frequência mais comum de uso foi de duas a três vezes por mês, e a maioria dos usuários tinha entre 30 e 39 anos, trabalhando em tempo integral.
O estudo, conduzido pela doutoranda Paloma Anastacio Barros, do Programa de Pós-graduação em Nutrição e Saúde, sob orientação das professoras Paula Martins Horta e Daniela Canella, investigou as características dos usuários e sua relação com fatores sociodemográficos, estado nutricional e estilo de vida.
A doutoranda Paloma Barros expressa preocupação com o rápido crescimento do setor de entrega de alimentos por aplicativos, alertando para os riscos à saúde pública. Segundo ela, o uso dessas plataformas pode contribuir para o ganho de peso, a alimentação impulsiva e uma maior prevalência de doenças crônicas.
Os resultados mostram que, embora opções nutricionalmente balanceadas estejam disponíveis, os alimentos mais frequentemente oferecidos e promovidos por estratégias de marketing e descontos tendem a ser ricos em calorias, gordura, açúcar e sódio. Entre os usuários regulares, 51,7% afirmaram pedir refeições completas em pelo menos metade das vezes, e 39,7% solicitam lanches (como hambúrgueres, pizzas e salgados) na maioria dos pedidos. Em contraste, 92% raramente pedem frutas e saladas de frutas por aplicativo, e 67,8% apresentam baixa frequência no pedido de saladas, vegetais e preparações à base de alimentos frescos ou minimamente processados.
Os achados reforçam a importância da conscientização sobre os hábitos alimentares e de vida associados ao uso de aplicativos de entrega. A escolha por opções mais saudáveis e a manutenção de um estilo de vida ativo são cruciais para mitigar os riscos à saúde identificados pela pesquisa da UFMG.