segunda-feira, 12 de outubro de 2026
Postado emMinas Gerais, Vida e Saúde

Estudo analisa impacto das plataformas digitais no trabalho de psicólogas

Publicidade
Estudo analisa impacto das plataformas digitais no trabalho de psicólogas
Estudo analisa impacto das plataformas digitais no trabalho de psicólogas

A psicoterapia mediada por plataformas digitais se tornou uma alternativa popular, oferecendo praticidade e flexibilidade de horários. No entanto, essa modalidade pode acarretar desafios como instabilidade financeira, sobrecarga e falta de segurança para as profissionais.

A psicóloga Gabriela Araújo Barbosa, da Universidade Federal de Uberlândia (UFU), iniciou uma pesquisa sobre as condições de trabalho de psicólogas que atendem por meio dessas plataformas. Em sua investigação, Barbosa entrevistou oito psicólogas autônomas e analisou como essa nova forma de atendimento impacta seu cotidiano e a qualidade do serviço prestado.

Um dos principais pontos abordados na pesquisa é a diferença entre atendimentos presenciais e online. Enquanto no consultório a psicóloga controla o ambiente, no atendimento digital essa responsabilidade é compartilhada com o paciente, o que pode gerar interrupções e problemas de conexão.

Além disso, as plataformas impõem regras sobre visibilidade de perfis e condições de atendimento, limitando a autonomia das profissionais. “A plataforma está controlando como, quando, de que forma e para quem o trabalho será ofertado”, afirma Barbosa.

Outro aspecto relevante é a expectativa dos pacientes por resultados imediatos, o que pode dificultar a construção de vínculos. As psicólogas relatam que a remuneração depende da quantidade de atendimentos, levando a uma vulnerabilidade financeira. A flexibilidade de horários, prometida pelas plataformas, pode resultar em uma sobrecarga de trabalho.

A pesquisa também destaca questões de segurança, já que as profissionais não têm controle sobre quem as contata, o que pode resultar em episódios de assédio. Para se proteger, algumas psicólogas formaram grupos de apoio para compartilhar experiências e alertar sobre comportamentos inadequados.

Os resultados da pesquisa de Gabriela Barbosa visam ampliar a discussão sobre as condições de trabalho na psicologia e a necessidade de uma reflexão mais profunda sobre a precarização gerada por plataformas digitais. A pesquisa estará disponível no Repositório Institucional da UFU a partir de julho de 2027.

Compartilhar: WhatsApp Facebook X LinkedIn
📬
Fique por dentro de Minas Gerais Receba as principais notícias no seu e-mail, gratuitamente.


    ← Anterior UFU abre inscrições para capacitação de docentes sobre era digital Próxima → Zema critica Lula por proposta de proibição das apostas online