O doutor em Psicologia pela UFMG, Bernardo Sollar Godoi, alertou que o uso de inteligência artificial como terapeuta pode ser prejudicial, especialmente em tempos de crise na saúde mental no Brasil. Em entrevista ao programa Conexões, ele destacou que a interação com chatbots pode reforçar estados maníacos e delirantes, além de promover o isolamento social.
Com a saúde mental da população em declínio, muitos brasileiros têm buscado a IA para apoio emocional. De acordo com o Mind Health Report 2026, 70% dos brasileiros já consideraram ou utilizaram inteligência artificial para questões emocionais, um índice superior à média global. A acessibilidade e a ausência de julgamento são fatores que atraem usuários, mas Godoi enfatiza os riscos dessa abordagem.
O especialista apontou que a IA não consegue lidar com nuances da comunicação humana, como o que não é dito, essencial em um processo terapêutico. Além disso, a lógica de engajamento das máquinas pode levar a uma validação de ideias prejudiciais, reforçando comportamentos problemáticos. Godoi ressaltou que o atendimento psicológico requer uma investigação profunda dos conflitos, algo que a IA não pode oferecer.
