O Comitê de Bacia do rio das Velhas concedeu autorização para João Batista de Oliveira realizar dragagem em aproximadamente 3,32 km do leito do rio, com largura entre 30 e 100 metros e profundidade de até 5 metros. A intervenção, que ocorrerá nas proximidades de Santana de Pirapama, visa a extração de ouro.
Em resposta à decisão, o Projeto Manuelzão expressou sua indignação em uma nota, questionando a legitimidade da autorização. O comitê, por sua vez, defendeu a ação como uma ‘decisão democrática’.
Dalce Ricas, superintendente da Associação Mineira de Defesa do Ambiente (Amda), criticou a autorização, afirmando que ‘pensávamos que garimpo em rio era coisa do passado, pois é indefensável em termos ambientais. Água vale muito mais que ouro’.
A Amda argumenta que a autorização carece de fundamentos técnicos, já que não existem tecnologias que possam mitigar os impactos ambientais da mineração em cursos d’água. A entidade também não encontrou registros de licenciamento na Plataforma Ecosistemas da Semad.
Os potenciais impactos da dragagem incluem aumento da turbidez da água, danos à fauna aquática e às espécies terrestres dependentes do rio, além de desbarrancamento de margens e deterioração da qualidade da água utilizada por comunidades ribeirinhas.
O Projeto Manuelzão alertou que a dragagem contraria os objetivos da Meta 2034, que visa ações de despoluição e preservação do leito e das nascentes do rio. A Amda, junto a outras instituições, enviou um ofício à Secretaria de Estado de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável (Semad) solicitando esclarecimentos sobre a autorização.