O Ministério Público de Brumadinho instaurou procedimento para acompanhar as melhorias e a gestão da estrada Parque Rola Moça, que serão executadas pela Vale como parte do acordo judicial decorrente da tragédia de Córrego do Feijão. A decisão atende a uma representação da Associação Mineira de Defesa do Ambiente (Amda).
Para a Amda, as melhorias são necessárias, mas é fundamental definir responsabilidades claras sobre administração e fiscalização da via, garantindo segurança dos usuários e do Parque. O documento foi enviado às promotorias de Brumadinho, Belo Horizonte, Nova Lima e Ibirité, municípios cortados pela estrada.
A entidade alerta para riscos ambientais e de segurança devido à indefinição sobre a gestão, e teme que as obras – como suavização de curvas e alargamento da pista – estimulem o aumento da velocidade. Também preocupa a possibilidade de a estrada ser usada como atalho para veículos pesados entre as BRs 040 e Fernão Dias.
A via, que atravessa quatro municípios, deveria ter controle estadual ou consórcio entre as prefeituras. O traçado sinuoso limita o tráfego de veículos com mais de dois eixos, proibição prevista no licenciamento ambiental e no Plano de Manejo do Parque Estadual do Rola Moça. No entanto, a falta de fiscalização permite a circulação de veículos não compatíveis.
Segundo o gerente do Parque, Henri Collet, cerca de 4 mil veículos passam diariamente pela estrada. O aumento do tráfego e da velocidade eleva riscos de incêndios, descarte de resíduos, abandono de animais e derramamento de substâncias tóxicas nos mananciais que abastecem a Região Metropolitana de Belo Horizonte.
A Amda sugere um desvio para a estrada que liga a BR 040 a Piedade do Paraopeba, já sob controle do DEER, durante as obras. Para isso, seria necessário construir um anel de contorno na localidade histórica. A medida poderia também retirar definitivamente os caminhões de grande porte do interior do Parque, cumprindo as regras do Plano Diretor e do licenciamento ambiental.