A Defensoria Pública de Minas Gerais (DPMG) realizou, na quarta-feira (5), em Montes Claros, evento comemorativo pelos seus 50 anos, com palestra da jornalista Daniela Arbex sobre saúde mental e direitos humanos. A atividade, no Salão do Júri do Fórum Gonçalves Chaves, reuniu autoridades, integrantes da Instituição e público presencial e remoto.
Na abertura, a defensora pública-geral, Caroline Loureiro Goulart Teixeira, destacou que a escolha de Montes Claros simboliza o compromisso com o interior. “É extremamente simbólico celebrarmos os 50 anos da nossa Instituição aqui em Montes Claros. Trazer um evento desta relevância, com a presença de uma profissional da grandeza de Daniela Arbex, da capital para o Norte, reafirma o propósito da Defensoria Pública de estar próxima das pessoas e presente onde a população precisa”, afirmou.
Caroline também ressaltou que a interiorização está ligada à ampliação do acesso à justiça. “Assumi o compromisso de valorizar o interior e tenho trabalhado diariamente, junto à minha equipe, para honrar essa promessa”, disse. Para ela, celebrar os 50 anos é reafirmar a responsabilidade de dar visibilidade a pessoas historicamente invisibilizadas e fortalecer a atuação em todas as regiões de Minas Gerais.
O coordenador local e da Regional Norte, José Cleber de Araújo Moreira, afirmou que a presença da Defensoria no interior concretiza direitos. “Servir a quem precisa, acolher a quem busca amparo, ouvir com atenção, orientar com clareza, defender com firmeza e estar presente justamente quando a pessoa mais necessita de proteção”, declarou.
Silvana Lourenço Lobo, coordenadora da Escola Superior da DPMG, destacou o avanço da Instituição: “A Defensoria Pública já está no Norte de Minas e nos mais variados rincões do estado. Hoje, estamos em 125 comarcas, mas, até 2034, estaremos em todas as comarcas de Minas Gerais”.
A cerimônia também homenageou Dilson Antônio Marques, reconhecido por mais de quatro décadas de atuação no sistema prisional e em iniciativas sociais. “Parabéns pelo seu trabalho exemplar. Receba esta homenagem, com nossa profunda gratidão”, declarou Caroline. Dilson agradeceu e dividiu o reconhecimento com parceiros: “Recebo esse reconhecimento não apenas em meu nome, mas em nome de todas essas pessoas”.
Na palestra, Daniela Arbex abordou a história do Hospital Colônia, em Barbacena, onde cerca de 60 mil pessoas morreram. “Estou muito honrada e muito agradecida pelo convite. Hoje eu vim aqui para contar uma história: a história da morte de 60 mil pessoas no maior hospício do Brasil”, afirmou. Ela apresentou documentos, imagens e relatos de sobreviventes, destacando que “a maioria não sofria de doença mental. Todo tipo de indesejamento social era um candidato para ser mandado para o Colônia”.