A Comissão de Saúde da Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG) realiza audiência pública na próxima segunda-feira (10/8/26), às 10 horas, para debater os transtornos causados pelo forte odor da Estação de Tratamento de Esgoto (ETE) Bananeiras, operada pela Copasa em Conselheiro Lafaiete, na Região Central do estado. A reunião será no auditório do andar SE, na sede do parlamento.
Há 16 anos, moradores dos bairros Cidade Satélite, São Benedito, Santa Terezinha, Barreira e comunidades próximas convivem com o cheiro intenso, comparado a ovo podre, devido à emissão de gás sulfídrico (H₂S) durante o tratamento de esgoto. O problema se agrava no inverno, com inversão térmica, e varia conforme a direção dos ventos.
O deputado Lucas Lasmar (Rede), que solicitou a audiência, destaca que o encontro será uma oportunidade para reunir os órgãos envolvidos e buscar solução definitiva para um problema que afeta a qualidade de vida da população há mais de uma década. A reunião ocorre após laudo pericial da Justiça, concluído em 4 de agosto de 2026, que reconheceu a procedência das reclamações e apontou que a estação tem potencial contínuo para gerar maus odores.
Além do desconforto, moradores relatam prejuízos à saúde, como alergias e problemas respiratórios, desvalorização de imóveis em até 30%, e impactos sociais, incluindo bullying com crianças e constrangimento pelo odor nas roupas. Comerciantes também relatam perdas e fechamento de estabelecimentos.
O laudo recente indica que as residências mais próximas estão a cerca de 100 metros das estruturas operacionais e dos leitos de secagem de lodo. Perícias anteriores do Tribunal de Justiça de Minas Gerais (TJMG) e da Arsae-MG já apontavam que as medidas da concessionária não foram suficientes para eliminar o problema. O TJMG chegou a condenar a Copasa a indenizar moradores por danos morais.
Em 2018, a Copasa firmou acordo com o Ministério Público e o município para reduzir as emissões, mas os moradores afirmam que o problema persiste e piorou após ampliações recentes. A empresa anunciou investimento de R$ 36,8 milhões para modernizar a estação, com obras previstas entre agosto de 2028 e março de 2030, o que gerou insatisfação. A comunidade também teme a construção de seis novos leitos de secagem de lodo, que podem aumentar as emissões.
Foram convidados para a audiência a presidente da Copasa, Marília Carvalho de Melo; o procurador-geral de Justiça, Paulo de Tarso Morais Filho; representantes da Arsae-MG; o promotor Glauco Peregrino; o vereador Pastor Angelino; e o representante da comunidade do Bairro Satélite, Fabiano Matos Teixeira.