A deputada Beatriz Cerqueira (PT) criticou, nesta sexta-feira (7/8/26), a parceria público-privada (PPP) para a gestão da infraestrutura das escolas estaduais, após visitar quatro instituições de ensino no Norte de Minas Gerais. Para a presidenta da Comissão de Educação, Ciência e Tecnologia da Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG), a proposta do Governo do Estado é desnecessária.
Durante as visitas a escolas em Januária, Itacarambi e Lontra, a parlamentar afirmou que encontrou unidades com boa estrutura, que estão realizando obras, reformas e manutenção ou que já as realizaram recentemente. “O interesse não é melhorar a escola, não é melhorar a sua infraestrutura”, declarou.
Beatriz Cerqueira também destacou a apreensão das comunidades escolares, que não têm informações detalhadas sobre o futuro das instituições. Em alguns casos, segundo ela, houve apenas uma reunião virtual com os gestores. A deputada questionou ainda a inclusão da Escola Estadual Monsenhor Florisval Montalvão, localizada em uma comunidade quilombola em Januária, na lista da PPP: “É isso mesmo? O Estado está leiloando uma escola quilombola?”.
As visitas evidenciaram que o governo priorizou escolas com boa infraestrutura para integrar a PPP. Na Escola Estadual Olegário Maciel, em Januária, foram feitos investimentos recentes em biblioteca, sala dos professores e laboratório de ciências. A escola oferece ensino bilíngue e, em uma sala multimídia, os alunos treinavam pronúncia com a música “Happy”, de Pharrell Williams.
Na Escola Estadual Monsenhor Florisval Montalvão, que atende a comunidade quilombola de Riacho da Cruz, houve evolução no Ideb entre 2019 e 2026: nos anos iniciais do fundamental, a nota subiu de 5,9 para 6,3; nos finais, de 4,3 para 4,8; e no ensino médio, de 3,1 para 4,5. A escola também produziu o livro “Meu quilombo é aqui”, que preserva a história local.
Em Lontra, a Escola Estadual Guimarães Rosa passou por reforma concluída em 2023, com rampa de acesso e banheiros adaptados. Já a Escola Estadual Professor Josefino Barbosa, em Itacarambi, com 65 anos, ainda aguarda reformas na cantina e no muro, além da instalação de ar-condicionado nas salas.
A PPP contempla reformas, conservação predial, limpeza e vigilância em 95 escolas de 34 municípios do Norte de Minas e Região Metropolitana de Belo Horizonte, com gastos previstos de R$ 5,1 bilhões em 25 anos. O leilão ocorreu em 30 de março na B3, vencido por consórcio liderado pela IG4 Capital, com participação do BTG Pactual. O contrato ainda depende de etapas como habilitação e homologação.
O governo defende que a PPP melhora a infraestrutura e permite que as equipes pedagógicas foquem na educação. Por outro lado, sindicatos e movimentos sociais temem privatização indireta e demissões de auxiliares de educação básica. Em março de 2026, a deputada protocolou representação no Tribunal de Contas do Estado (TCE-MG) pedindo suspensão do edital, mas o órgão ainda não se manifestou.
