O projeto que transforma a pele da tilápia em couro para a economia criativa de Morada Nova de Minas, no Centro-Oeste de Minas Gerais, ganhou um novo parceiro: a estilista Flávia Aranha, referência nacional em moda sustentável. Ela doou quase 60 quilos de tecidos e retalhos, que serão usados em conjunto com o couro produzido a partir da pele do peixe.
A ideia é unir os dois materiais em um processo criativo que envolva costureiras, artesãos e estilistas locais. A expectativa é desenvolver, ao longo do próximo ano, uma coleção exclusiva que combine o couro de tilápia com os tecidos doados pelo ateliê de Flávia Aranha, conhecido pelo conceito de slow fashion, que valoriza matérias-primas naturais e técnicas artesanais. O projeto prevê um evento de lançamento para apresentar as peças.
“A participação da estilista amplia as possibilidades de criação e agrega novas referências ao projeto, que busca transformar um resíduo da cadeia produtiva da piscicultura em matéria-prima de maior valor agregado para a moda, o artesanato e o design”, destaca a analista do Sebrae Minas Isabella Silva.
Morada Nova de Minas é o maior produtor de tilápia do Brasil, com cerca de 80 toneladas diárias. A iniciativa aproveita a pele do peixe, que seria descartada, para produzir couro usado em bolsas, calçados e acessórios. Para os empresários locais, a parceria pode abrir novas oportunidades de negócio e renda, fortalecendo a cadeia criativa da região.
Além do desenvolvimento do material, o projeto busca aproximar profissionais da moda e do artesanato de diferentes etapas do processo, criando uma coleção com identidade própria. A ação faz parte de um esforço do Sebrae Minas, que nos últimos três anos vem promovendo ações estruturantes para micro e pequenos empreendedores e para o desenvolvimento territorial do município, localizado às margens do Lago da Usina Hidrelétrica de Três Marias.
