Um estudo inédito na América Latina, conduzido com a participação da UFMG, mostrou que mudanças no estilo de vida podem melhorar a saúde cognitiva de idosos com risco de demência. A pesquisa, que envolveu 1.065 voluntários de 11 países, foi publicada na revista The Lancet e apresentada na Conferência Internacional da Associação de Alzheimer (AAIC 2026), em Londres.
Os participantes que seguiram um programa estruturado com atividade física, alimentação saudável, treinamento cognitivo, socialização e controle clínico tiveram melhora 55% maior na cognição global, em comparação com aqueles que receberam apenas orientações gerais de saúde. Os resultados também apontaram avanços em memória, atenção e funções executivas após dois anos de acompanhamento.
No Brasil, estima-se que 2,46 milhões de pessoas com mais de 60 anos vivam com demência, número que pode triplicar até 2050. Cerca de 80% dos casos ainda não têm diagnóstico formal, o que reforça a importância de estratégias de prevenção, especialmente diante de fatores de risco como hipertensão, diabetes e colesterol alto.
O professor Paulo Caramelli, pesquisador principal do estudo em Belo Horizonte, destacou a relevância dos resultados para a América Latina. “No continente, partimos de uma realidade diferente da de outros países: temos mais fatores de risco, menos controle e menor acesso a programas de promoção da saúde. Isso faz com que a janela de oportunidade para a prevenção seja enorme, e é exatamente o que o estudo demonstrou”, afirmou.
O LatAm-FINGERS é o primeiro ensaio clínico randomizado multicêntrico sobre prevenção do declínio cognitivo realizado na América Latina. Participaram centros de Argentina, Bolívia, Brasil, Chile, Colômbia, Costa Rica, Equador, México, Peru, República Dominicana e Uruguai. Na UFMG, a equipe incluiu professores e pesquisadores das faculdades de Medicina, Farmácia e da Escola de Educação Física, Fisioterapia e Terapia Ocupacional.