A Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) vai lançar, nos dias 13 e 17 de agosto, um guia com princípios e orientações práticas para o uso responsável da Inteligência Artificial (IA) na instituição. O documento, intitulado ‘Princípios e diretrizes para o uso responsável da IA na UFMG: orientações práticas’, é destinado a estudantes, professores, técnicos-administrativos e terceirizados.
O lançamento será realizado na quinta-feira, 13, às 11h, no auditório da Reitoria, no campus Pampulha, em Belo Horizonte, e na segunda-feira, 17, às 9h, no auditório do Bloco C, no campus Montes Claros. Após o evento na capital, o guia estará disponível no site da Comissão Permanente de IA da UFMG.
O objetivo do documento é orientar a comunidade acadêmica sobre o funcionamento e as potencialidades da IA, apontando riscos, cuidados éticos e boas práticas. O professor Marco Antônio Sousa Alves, da Faculdade de Direito e integrante da comissão, explica que o guia segue orientações da ONU e de outros organismos nacionais e internacionais, respeitando a legislação brasileira e os valores da UFMG.
O professor destaca que o documento busca ampliar o debate e a participação de todos. ‘É importante que cada unidade incentive a discussão sobre os impactos da IA em seus campos do conhecimento, considerando as especificidades de uso. O debate e o compartilhamento de experiências são fundamentais para prevenir danos e estimular o uso produtivo e responsável da IA no ambiente acadêmico’, afirma.
O guia aborda usos diversos da IA, como apoio na análise de dados, desenvolvimento de métodos de ensino inovadores e inclusão por meio de tecnologias assistivas. Para estudantes, a IA pode ajudar na redação de trabalhos acadêmicos, na revisão gramatical, na tradução e na geração de resumos, entre outras tarefas. Para docentes, o documento sugere discussões em sala de aula sobre os impactos da IA e a personalização de ferramentas para fins educacionais.
Nas áreas administrativas, a IA pode ser usada na gestão de projetos, planejamento e combate a fraudes. O guia estimula a criação de chatbots para consulta a normas institucionais, com treinamento interno e segurança de dados. No entanto, o professor alerta para os riscos: ‘É preciso máxima transparência e protocolos estritos de proteção de dados. A IA deve promover condições de trabalho dignas, evitando sobrecarga e precarização. Toda atividade com IA deve ser supervisionada para evitar discriminações e desinformação. No caso dos estudantes, o uso frequente não é recomendado, devido aos impactos na criatividade, autonomia e risco de dependência tecnológica’.
O documento é resultado de um processo coletivo iniciado em novembro de 2023, quando uma comissão foi instituída para formular propostas. Presidida pelo professor Virgílio Almeida, do Departamento de Ciência da Computação, a comissão realizou um amplo levantamento de tendências globais. Em 2024, o Conselho de Ensino, Pesquisa e Extensão (Cepe) aprovou recomendações pioneiras sobre o uso de IA, e a Reitoria criou a Comissão Permanente de IA, responsável pelo guia.