A Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF) divulgou uma pesquisa que analisa os processos psicossociais relacionados à violência de gênero e o impacto do sexismo na perpetuação de estereótipos e mitos sobre estupro. A pesquisa foi conduzida pela psicóloga Monique Bernardes Ferreira, do Núcleo de Estudos em Violência e Ansiedade Social (Nevas), e ouviu 1.430 participantes de diversas regiões do Brasil.
O estudo propôs um modelo que associa estereótipos de gênero, sexismo e mitos de estupro. Monique explica que os estereótipos são características que definem como homens e mulheres são percebidos na sociedade, moldados por hierarquias sociais. O sexismo ambivalente, por sua vez, é uma teoria que divide o preconceito de gênero em sexismo hostil e benevolente, afetando a percepção e o tratamento das mulheres.
A pesquisa identificou que a adesão a estereótipos tradicionais de gênero facilita a legitimação da violência contra a mulher. Monique destaca que, embora as mulheres reconheçam a gravidade das agressões, muitas vezes enfatizam a violência psicológica, que pode causar danos mais profundos do que a agressão física.
Além disso, a pesquisa revelou que as mulheres frequentemente veem a motivação para a agressão como ciúme ou possessividade, reforçando a crença de que os homens têm domínio sobre suas parceiras. Fatores como dependência financeira e medo de represálias também contribuem para a permanência em relações abusivas.
Os resultados do estudo são relevantes para a formulação de políticas públicas que visem não apenas a violência, mas a desconstrução de estereótipos de gênero. Monique ressalta que é fundamental enfraquecer preconceitos que legitimam a agressão e promover uma mudança estrutural nas percepções sociais.