O capacitismo, que se refere à discriminação contra pessoas com deficiência (PcD), é abordado no episódio mais recente do podcast “Ciência ao Pé do Ouvido”. Cientistas com deficiência discutem suas experiências como pesquisadores, destacando a necessidade de mudança na percepção social sobre a deficiência.
O termo capacitismo, que começou a ser utilizado nos anos 60 e 70, ganhou destaque no Brasil em 2017, impulsionado por pesquisas acadêmicas. O doutorando Kennedy José de Oliveira Júnior, da Universidade Federal de Uberlândia (UFU), analisa as raízes históricas do capacitismo em sua dissertação, apontando influências da eugenia e do neoliberalismo.
A pesquisa revela que o modelo social de deficiência atribui a responsabilidade pela inclusão à sociedade, e não ao indivíduo. A doutoranda Aleska Trindade critica a rotulagem de Uberlândia como “cidade exemplo em acessibilidade”, evidenciando a falta de infraestrutura adequada.
Na UFU, atualmente, há 481 estudantes com deficiência, e a Divisão de Acessibilidade e Inclusão trabalha para melhorar as condições de acesso e acolhimento. A coordenadora Janine Cecília Gonçalves Peixoto destaca a importância de um ambiente inclusivo e da autodeclaração dos estudantes.
O reitor Carlos Henrique de Carvalho, que é cadeirante, enfatiza a necessidade de garantir uma inclusão plena, que vá além das adaptações físicas. A legislação brasileira também considera o capacitismo um crime, reforçando a importância da conscientização sobre o tema.
O episódio “Ciência sem barreiras” está disponível nas principais plataformas de podcast e traz mais informações sobre a contribuição das pessoas com deficiência na ciência.
