A Comissão de Educação, Ciência e Tecnologia da Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG) realiza audiência pública nesta terça-feira (25/8/26), às 10 horas, no Plenarinho II, para debater a criação do Centro de Inteligência e Tecnologia Avançadas em Terras Raras (Citar) em Poços de Caldas, no Sul do Estado.
A proposta, solicitada pelas deputadas Beatriz Cerqueira (PT) e Bella Gonçalves (PT), é uma iniciativa do Instituto Federal do Sul de Minas em parceria com a Universidade Federal de Alfenas. O objetivo é fortalecer a pesquisa científica, a inovação tecnológica e o monitoramento ambiental relacionados à exploração de minerais críticos na região.
O Citar prevê a implantação de uma estrutura de pesquisa para atuar em várias frentes, como desenvolvimento de tecnologias de processamento mineral, formação de recursos humanos e monitoramento ambiental dos empreendimentos de mineração de terras raras.
A criação do centro foi recomendada em relatório do governo federal sobre a mineração de terras raras no Sul de Minas. A viabilidade está sendo analisada pelo Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação, e a implementação depende de recursos do Fundo Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico.
As terras raras são 17 elementos químicos metálicos essenciais para produtos de alta tecnologia, como celulares, carros elétricos e turbinas eólicas. Apesar do nome, não são escassas na crosta terrestre, mas raramente encontradas em concentrações economicamente viáveis, o que torna a mineração complexa e com grandes impactos ambientais.
O Brasil tem a segunda maior reserva de terras raras do planeta, e o Planalto de Poços de Caldas abriga grandes jazidas. A região atrai mineradoras, como a australiana Viridis, que planeja investir R$ 2 bilhões no projeto Colossus para beneficiar insumos de baterias e turbinas eólicas.
No entanto, o projeto gera desconfiança entre moradores. Em visita da comissão ao município, as deputadas ouviram reclamações sobre possível poluição do ar e escassez de água, já que a comunidade fica a 300 metros das futuras cavas de exploração.