A Justiça acatou um pedido do Ministério Público de Minas Gerais (MPMG) e determinou o afastamento preventivo de um policial penal suspeito de exigir R$ 20 mil de um detento em troca de uma vaga de trabalho na Penitenciária Dênio Moreira de Carvalho, em Ipaba, no Vale do Aço.
A decisão foi tomada pela Vara da Fazenda Pública da Comarca de Ipatinga, em uma Ação de Improbidade Administrativa movida pelo MPMG. O policial penal, que ocupava a função de diretor de Segurança da unidade prisional, ficará afastado de suas funções e de qualquer cargo de chefia na Secretaria de Estado de Justiça e Segurança Pública de Minas Gerais (Sejusp/MG), sem prejuízo de sua remuneração, até nova decisão judicial.
De acordo com a Ação, em setembro de 2025, o servidor teria exigido uma vantagem indevida de um preso sob sua custódia, prometendo a concessão e manutenção de uma vaga de trabalho na marcenaria da penitenciária, atividade que possibilita ao detento a redução do tempo de pena e pode influenciar na progressão de regime prisional.
As investigações revelaram que o policial contatou a mãe do detento, fornecendo dados de sua conta bancária para o pagamento. O valor de R$ 20 mil foi transferido em três operações via Pix, realizadas nos dias 8 e 9 de setembro de 2025.
O MPMG reuniu depoimentos, comprovantes de transferência, registros de mensagens e dados de celulares apreendidos. A Justiça considerou que os elementos apresentados indicam a possível prática de improbidade administrativa e reconheceu o risco à coleta de provas caso o servidor permanecesse em exercício, dada sua posição de autoridade e a vulnerabilidade dos presos e seus familiares.
Os mesmos fatos estão sendo investigados na esfera criminal. A Ação de Improbidade Administrativa seguirá seu curso, garantindo ao acusado o direito de defesa.