O Ministério Público de Minas Gerais (MPMG) denunciou sete pessoas ligadas a clínicas clandestinas em Montes Claros, acusadas de crimes como cárcere privado, tortura e abusos sexuais. As denúncias foram feitas pela 17ª Promotoria de Justiça da cidade.
Entre os denunciados estão o proprietário das clínicas, três coordenadoras, uma técnica em enfermagem, um psicólogo e um responsável pela vigilância. As acusações envolvem a manutenção de quinze vítimas em cárcere privado entre 2023 e 2026, incluindo nove adolescentes e quatro mulheres com transtornos mentais.
De acordo com o MPMG, muitas vítimas foram internadas em cumprimento de decisões judiciais, mas essas internações eram indevidas, já que a lei proíbe a internação compulsória em comunidades terapêuticas que não acolhem voluntários. As internas eram mantidas sem acompanhamento técnico e com severas restrições de comunicação.
As denúncias revelam que as vítimas eram submetidas a tratamentos abusivos, incluindo o uso de psicotrópicos sem prescrição, amarrações e trabalho forçado. O proprietário também é acusado de abusos sexuais, levando adolescentes a motéis sob promessas de liberação.
A investigação, que começou em 2024, revelou que o grupo se antecipava a fiscalizações e ameaçava as vítimas. O MPMG já havia firmado um Termo de Ajustamento de Conduta em 2023 e obteve a interdição das clínicas em 2025, mas as atividades clandestinas continuaram.
O MPMG está agora buscando novas apurações sobre agressões, abusos e ameaças, enquanto as investigações continuam. O promotor Daniel Lessa Costa destacou que o medo foi um grande obstáculo para a investigação e que ainda há muitas vítimas a serem ouvidas.
