O candidato à presidência, Flávio Bolsonaro (PL), anunciou nesta segunda-feira (19) um plano para regularização fundiária no Pará e a eliminação de “entraves ambientais por razões ideológicas”. Ele defendeu a liberdade dos produtores rurais sobre suas terras, sem fornecer detalhes sobre como pretende implementar essa flexibilização em um estado com significativa presença de terras indígenas e conflitos fundiários.
Bolsonaro afirmou: “Vai fazer o que quiser na sua terra”. Recentemente, órgãos de inteligência do governo federal monitoram ameaças de fazendeiros a comunidades indígenas na Amazônia, especialmente ao povo Parakanã, na Terra Indígena Apyterewa, no Pará. Mensagens indicam um plano de invasão para o dia 25 deste mês, data do segundo turno das eleições, caso o senador seja eleito.
Investigações revelam que mensagens de áudio de WhatsApp mostram pecuaristas e moradores locais se preparando para ocupar o território demarcado, com a expectativa de que as leis ambientais sejam flexibilizadas. O plano de governo de Bolsonaro inclui acelerar a regularização fundiária e a titulação de pequenos proprietários, seguindo o modelo do governo anterior.
O candidato também se manifestou contra o Marco Temporal das Terras Indígenas e minimizou a gravidade dos eventos climáticos extremos, atribuindo-os a ciclos naturais. A Polícia Federal, o Ibama e a Funai consideram as ameaças sérias, especialmente por envolver um povo de recente contato e alta vulnerabilidade. O governo federal determinou o reforço da segurança e fiscalização na região para prevenir novas ocupações ilegais.
As assessorias dos políticos envolvidos foram contatadas, mas a campanha de Flávio Bolsonaro não se manifestou até o momento. A equipe do governador do estado optou por não comentar o caso.