Um incêndio de grandes proporções devastou a Terra Indígena Maxakali, localizada no Vale do Mucuri, consumindo áreas de vegetação, reflorestamento e plantio entre Bertópolis e Santa Helena de Minas. O fogo foi identificado em 7 de outubro por um funcionário do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama), que imediatamente acionou o Corpo de Bombeiros.
Até 14 de outubro, as chamas ainda estavam ativas, e as equipes de combate trabalhavam intensamente para controlar a situação. Informações preliminares indicam que mais de mil hectares foram queimados, resultando na morte de centenas de animais. A área afetada representa cerca de um quinto do território, onde residem aproximadamente 2,5 mil indígenas.
Na região de Pradinho, em Bertópolis, as chamas se aproximaram de uma aldeia, queimando parte dos quintais. Moradores indígenas e brigadistas voluntários passaram a madrugada tentando conter o avanço do incêndio e proteger as áreas ocupadas. A pesquisadora Lorena Anastácio, da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), que estava no local, relatou que o fogo chegou à região por volta das 2h da quarta-feira (14).
A força-tarefa para combater o incêndio incluiu bombeiros, brigadistas do Ibama, integrantes do projeto Hãmhi Terra Viva, equipes da Coordenadoria Estadual de Defesa Civil e voluntários indígenas. Um posto de comando foi instalado na aldeia Pradinho para coordenar as ações de combate.
Entre as áreas afetadas estão zonas de regeneração ambiental e áreas de plantio cultivadas nos últimos três anos por meio de um projeto de reflorestamento. Bananeiras plantadas durante as ações de recuperação também foram atingidas. Até o momento, não há informações precisas sobre a extensão dos danos às áreas de cultivo, mas a proximidade do fogo com as áreas ocupadas pelos indígenas aumenta a preocupação com a segurança dos moradores e a preservação do território.