O Julho das Pretas e o Dia Internacional da Mulher Negra Latino-Americana e Caribenha (25 de julho) reforçam a necessidade de discutir gênero e raça. A data surgiu em 1992, no 1º Encontro de Mulheres Negras Latino-Americanas e Caribenhas, na República Dominicana, em defesa da reparação histórica e justiça social.
Para Jane Maria dos Santos Reis, coordenadora da Divisão de Licenciaturas e Formação Docente da UFU, “se há um caminho para avançarmos nessas demandas, ele passa pelas políticas públicas afirmativas voltadas especificamente para as mulheres negras”. Ela destaca que a mulher negra sofre com dois dispositivos interseccionais: raça e gênero.
A Política Nacional de Equidade, Educação para as Relações Étnico-Raciais e Educação Escolar Quilombola (Pneerq), criada em 2024, busca ampliar a aplicação da Lei 10.639/2003, que obriga o ensino da história e cultura afro-brasileira nas escolas. A UFU contribui com pesquisadores que atuam como agentes articuladores em Minas Gerais, formando multiplicadores nos municípios.
Reis explica que a política foca em redes de ensino que ainda não reduziram desigualdades educacionais e raciais, como Uberlândia. “É fundamental trabalhar a negritude a partir de referenciais positivos”, afirma. O curso ‘Práticas de Ensino para Equidade na Educação’ reúne 151 agentes locais até novembro.
No Dia Internacional da Mulher Negra, Reis questiona a presença feminina negra em espaços de decisão da universidade: “Quantas mulheres negras estão à frente do Neab ou ocupam cargos na gestão superior? Esses números ainda são muito tímidos”. A UFU adota cotas desde 2013 e oferece acolhimento a vítimas de racismo pelo e-mail [email protected].