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quinta-feira, 27 de agosto de 2026
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Brasil pode atingir 1 milhão de presos em 2027, aponta Anuário de Segurança

Brasil pode atingir 1 milhão de presos em 2027, aponta Anuário de Segurança
Brasil pode atingir 1 milhão de presos em 2027, aponta Anuário de Segurança
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O Brasil pode atingir a marca de 1 milhão de pessoas presas em 2027, caso se mantenha o ritmo de crescimento da população carcerária dos últimos anos. A projeção consta no Anuário Brasileiro de Segurança Pública de 2026, divulgado na quinta-feira (23) pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP).

Em 2025, a população prisional chegou a 964.668 pessoas, somados os presos em penitenciárias e delegacias. O número representa um aumento de 6% em relação ao ano anterior. Na última década, o crescimento médio foi de 3,3% ao ano.

Uma projeção feita pelo g1 e validada pelo FBSP indica que um crescimento médio de aproximadamente 2% neste ano e em 2027 já seria suficiente para o país atingir 1 milhão de encarcerados. Segundo David Marques, gerente de programas do FBSP, a análise da série histórica confirma a tendência ininterrupta de crescimento do número de presos, em um sistema superlotado. “Isso é muito característico da política criminal brasileira, uma população prisional que segue crescendo, num sistema prisional que não tem o número de vagas adequado”, afirma.

Entre 2000 e 2025, o número de pessoas privadas de liberdade aumentou 314,5%. Considerando apenas o período entre 2016 e 2025, o total passou de 722.120 para 964.668 detentos. Enquanto a população prisional aumenta, o número de vagas disponíveis era de 679.763 no último ano, um déficit de 281.213 vagas. Essa realidade, segundo o relatório, torna mais difícil a reintegração social das pessoas encarceradas. “No sistema superlotado, as estruturas, as políticas, os direitos e garantias que deveriam existir dentro do cárcere não são oferecidos de fato”, diz Marques.

Outro dado apontado pelo Anuário é que, nos últimos anos, cerca de um em cada quatro presos no Brasil ainda aguardava julgamento, quadro que revela um desequilíbrio entre a capacidade de prender e a de julgar no tempo hábil e agrava a superlotação. Os homens continuam sendo a ampla maioria, representando 94% da população carcerária. Ainda assim, o Brasil registrou um recorde de 57.222 mulheres privadas de liberdade, o maior número desde o início da série histórica, em 2016. Em 10 anos, a população prisional feminina cresceu 43,7%, acima do percentual registrado entre os homens, de 36,4%.

O perfil da população carcerária também revela desigualdades. Em 2025, 69,6% das pessoas presas eram negras, o maior percentual da série histórica, enquanto 29,2% eram brancas, o menor índice registrado desde o início da coleta. Pessoas amarelas representavam 0,9% da população prisional, e indígenas, 0,3%.

O estudo também aponta um crescimento expressivo das mortes registradas dentro do sistema prisional. Entre 2016 e 2025, 23.942 pessoas morreram em unidades prisionais brasileiras, um aumento de 241%. Somente em 2025, foram registradas 3.318 mortes, o maior número de toda a série histórica. Mortes por problemas de saúde e causas naturais são as mais recorrentes, indicando falhas no acesso à atenção básica. O relatório também destaca o crescimento das mortes por causas desconhecidas, com alta de 1.422% no período, indicando fragilidades na investigação.

Em 2025, o Brasil contabilizou 10.218 pessoas privadas de liberdade com algum tipo de deficiência, número superior ao registrado no ano anterior (9.799). Apesar disso, quase 70% dos 1.532 estabelecimentos prisionais não possuem qualquer módulo ou cela adaptados. O Anuário também avaliou os programas de laborterapia: embora o número de participantes tenha crescido 13,2% em relação a 2024, apenas 21,6% da população prisional estava inserida em atividades dessa natureza em 2025.

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