quinta-feira, 27 de agosto de 2026
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Ocupação Fidel Castro pode ter solução inédita com adjudicação urbana

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Ocupação Fidel Castro pode ter solução inédita com adjudicação urbana
Ocupação Fidel Castro pode ter solução inédita com adjudicação urbana

Centenas de famílias da Ocupação Fidel Castro, em Uberlândia, no Triângulo Mineiro, podem ter suas moradias regularizadas por meio de um mecanismo inédito no Brasil: a adjudicação urbana. A medida foi discutida em audiência pública na comunidade, na segunda-feira (3/8/26), promovida pela Comissão de Direitos Humanos da Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG).

O impasse jurídico de dez anos envolve um terreno da Construtora Centro-Oeste (CCO), penhorado por dívidas da empresa. O secretário nacional de periferias do Ministério das Cidades, Vitor Araripe Pacheco, afirmou que a expectativa é resolver a questão por meio da adjudicação, que é a transferência do imóvel para pagamento de dívida. “Será a primeira adjudicação urbana do Brasil. Vocês vão fazer história para todo o País”, disse.

A ocupação foi criada em 2016, com cerca de 700 famílias do Movimento dos Trabalhadores Sem Teto (MTST). Hoje, aproximadamente 1,5 mil famílias vivem no local. Segundo o MTST, a Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional autorizou, em 2024, a doação dos imóveis ao município, mas a Prefeitura recusou por falta de recursos. Em 2025, uma proposta de regularização com R$ 111 milhões do programa Novo PAC Periferia Viva foi habilitada pelo Governo Federal, mas depende da solução da penhora.

O coordenador nacional do MTST, Jairo dos Santos Pereira, destacou que o parecer favorável da Advocacia-Geral da União, em fevereiro, aproximou a regularização. “A gente custou a aprender uma palavra aqui na ocupação, que é a adjudicação. A troca da dívida pelo imóvel. O primeiro caso de adjudicação urbana no Brasil será o da Ocupação Fidel Castro”, afirmou. O secretário Vitor Pacheco explicou que ainda é necessário um decreto federal para regulamentar o processo.

O Governo Federal planeja destinar R$ 290 milhões para regularização fundiária em Uberlândia, sendo R$ 111 milhões para o Fidel Castro, R$ 80 milhões para a ocupação Maná e R$ 98 milhões para a ocupação Glória. O procurador-seccional da Fazenda Nacional em Uberlândia, Lucas Dornelas, disse que aguarda a regulamentação para iniciar o procedimento administrativo.

Além da regularização, os moradores cobram energia elétrica para todas as casas. A deputada Bella Gonçalves (PT) lembrou que já houve um assassinato na ocupação por causa de ligação clandestina. O superintendente regional da Cemig, Wellington Cancian, leu mensagem do presidente da empresa, Alexandre Peixoto, afirmando que a solução depende da articulação de instituições, pois a Cemig assinou, em 2014, um termo de compromisso com o Ministério Público que impede ligações em áreas não regularizadas.

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