Em visita ao Hospital Júlia Kubitschek, em Belo Horizonte, a Comissão dos Direitos da Mulher da Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG) identificou a necessidade de espaços exclusivos para o atendimento de vítimas de violência sexual e de mulheres em luto materno. A unidade, referência em obstetrícia, atualmente realiza esses procedimentos no mesmo ambulatório de grávidas e outras pacientes.
Durante a visita, realizada nesta quinta-feira (6), as deputadas Ana Paula Siqueira (PT) e Lohanna (PV), presidenta e vice-presidenta da comissão, ouviram relatos como o de Márcia Leal, que perdeu um bebê em 1994 e, ao acordar da anestesia, teve que conviver com mães e recém-nascidos. O trauma a levou a uma depressão crônica. “Luto para que outras mulheres não passem por isso”, desabafou a conselheira de saúde.
Conselheiros tutelares que acompanharam a visita apontaram diferenças entre o fluxo de atendimento apresentado pela gerência e o que ocorre na prática. Kele Christina Nunes, conselheira tutelar, destacou que crianças e adolescentes vítimas de violência sexual chegam machucadas, com fome e precisando de acolhimento, e que esperar duas horas nessas condições é muito. Ela também alertou que a escuta especializada pode ocorrer até 20 dias após o crime, obrigando a vítima a reviver o trauma.
Outras demandas identificadas foram a falta de espaço no pré-parto e para coleta de exames, além da reabertura do ambulatório de endometriose, fechado por falta de pessoal. Servidores temem que o Governo do Estado esteja tentando descaracterizar os atendimentos à saúde da mulher para justificar reduções ou terceirização.
A diretora administrativa do hospital, Talita Moreira, reconheceu que o fluxo de atendimento pode ser aperfeiçoado e informou que já existe um projeto arquitetônico para criar espaços exclusivos para vítimas de violência sexual e luto materno. Enquanto isso, estão sendo usados leitos reservados para isolamento e parto humanizado, com previsão de funcionamento até o final de setembro.
Somente em julho, o hospital realizou 1.200 atendimentos de pronto atendimento e cerca de 170 partos. A média de consultas ambulatoriais é de 500 por mês. Como encaminhamento, as deputadas aprovaram requerimento ao Governo do Estado recomendando a implementação imediata das áreas exclusivas.