quinta-feira, 27 de agosto de 2026
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Mapas produzidos por estudantes auxiliam comunidade de Monte Carmelo

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Mapas produzidos por estudantes auxiliam comunidade de Monte Carmelo
Mapas produzidos por estudantes auxiliam comunidade de Monte Carmelo

A quarta edição do Forest View (vista para a floresta) foi realizada no dia 21 de julho e levou oficinas e exposições de mapas de gestão florestal para a comunidade de Monte Carmelo. O Projeto de Extensão é organizado pelo curso de Engenharia Florestal da Universidade Federal de Uberlândia (UFU) e coordenado por Luciano França e Vicente Morais, ambos professores do Instituto de Ciências Agrárias (ICIAG), do campus Monte Carmelo.

Os docentes contam que o projeto nasceu de uma inquietação: “Como fazer com que a universidade cumpra sua missão de ensinar de uma forma mais viva, participativa e marcante para os estudantes?”. A iniciativa, cadastrada na Pró-Reitoria de Assistência Estudantil (PROAE), busca promover obras técnicas, desenvolvidas por estudantes do curso.

Ao longo da disciplina, cada estudante desenvolve seu mapa seguindo os padrões técnicos de cartografia e utilizando bases de dados públicos. Foi dessa forma que os docentes perceberam a oportunidade de realizar um projeto diferente. “Poderíamos encerrar a atividade apenas com a entrega de um trabalho em sala de aula, mas decidimos transformar esse momento em uma exposição pública”, contam os professores.

Os professores explicam que o objetivo do projeto também é formar profissionais capazes de utilizar informações geográficas para resolver problemas reais da conservação da natureza e do planejamento ambiental. É dessa maneira que os estudantes aprendem cada etapa da produção das geotecnologias apresentadas, durante o evento.

França e Morais contam que o termo até parece ser um “bicho de sete cabeças”, mas que a geotecnologia é apenas um conjunto de tecnologias que permitem a compreensão do espaço e território de forma precisa. “Estamos falando, por exemplo, de imagens de satélite, drones, fotografias aéreas, sistemas de informações geográficas, GPS e bancos de dados especiais”.

A produção dos mapas auxilia na tomada de decisões, permitindo visualizar relações dificilmente percebidas apenas por tabelas ou relatórios. “Quando organizamos as informações espacialmente, conseguimos identificar os padrões, conflitos e oportunidades para planejar melhor as obras, intervenções, agricultura e qualquer outro tipo de empreendimento socioambiental”.

Isso quer dizer que, na Engenharia Ambiental, os mapas permitem compreender onde uma floresta está mais vulnerável e quais regiões são prioritárias para conservação ou onde há maior risco de incêndios, por exemplo. Segundo informações do Corpo de Bombeiros de Uberlândia, a cidade registrou uma média de 2,5 incêndios por dia, desde o início do ano. Desse total registrado no primeiro semestre de 2026, a maioria das ocorrências corresponde a incêndios florestais.

Os professores contam que durante o Forest View, os estudantes aprendem a produzir mapas de focos de calor, para identificar áreas historicamente queimadas e que possuem maiores riscos de incêndios. Eles contam que é extremamente importante conhecer espacialmente onde os incêndios ocorrem com maior frequência e que isso permite que deixem de trabalhar apenas no combate ao fogo e passem a investir também na prevenção.

“As informações ajudam a direcionar ações de fiscalização, reduzir material combustível, posicionar brigadas de incêndio, orientar produtores rurais e desenvolver campanhas educativas exatamente em áreas de maior vulnerabilidade. Isso nos ajuda a salvar vidas humanas e fauna”.

Rafael Maick é estudante de Engenharia Florestal da UFU e, atualmente, está no 10º período. Ele conta que participar do Forest View foi uma das experiências marcantes de sua graduação e que a exposição dos trabalhos realizados foi um desafio, uma vez que precisou explicar suas análises, responder perguntas e defender suas interpretações para a comunidade. “Isso desenvolveu minha segurança para falar em público e me mostrou que um mapa bem elaborado pode realmente apoiar decisões importantes, na área ambiental. Hoje me sinto mais confiante para transformar dados geográficos em informações úteis para o planejamento florestal e a conservação da natureza”.

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