A Defensoria Pública de Minas Gerais (DPMG) promoveu a terceira edição do projeto “Território e Pertencimento” na Comunidade Quilombola de Campinas, localizada no distrito de Águas Claras, em Mariana, no dia 11 de agosto.
Durante o evento, os moradores tiveram acesso a atendimentos e orientações jurídicas em diversas áreas, incluindo questões relacionadas ao rompimento da barragem de Fundão, ocorrido em 2015, e reivindicações sobre políticas públicas. Além disso, foram distribuídas cartilhas de educação em direitos.
Nara Alves, residente da região, buscou esclarecimentos sobre a reparação pelos danos causados pela tragédia, relatando que não foi reconhecida como atingida. “Eu perdi muita coisa, fiquei doente e hoje tomo remédio para pressão por causa do que aconteceu”, afirmou.
A falta de acesso à saúde também foi um tema abordado. Márcia Lima, outra moradora, destacou a escassez de profissionais de saúde na comunidade, que recebe apenas uma visita semanal de um médico. “Não temos o acesso que precisamos aqui”, lamentou.
O projeto visa promover um espaço de diálogo com a comunidade, permitindo que os moradores compartilhem suas experiências. A defensora pública Sara Carvalho Matanzaz conduziu uma roda de conversa sobre a história e organização da comunidade, enfatizando a importância do reconhecimento enquanto quilombola.
As crianças presentes aprenderam sobre o papel da Defensoria Pública e como identificar violações de direitos, recebendo crachás de “Defensores de direitos humanos”. A Ouvidoria-Geral da DPMG também participou, reforçando o compromisso com a escuta e o diálogo.
Roberta Alves, uma das lideranças da comunidade, expressou a importância da parceria com a Defensoria Pública para fortalecer as reivindicações locais. “Através da Defensoria Pública, acreditamos que a nossa voz possa ser mais ouvida”, concluiu.