O livro “A questão antropológica”, de Michel Foucault, chega ao Brasil pelas editoras UFMG e Via Verita, oferecendo um importante documento para entender a formação do pensamento do filósofo francês. A obra, organizada por Arianna Sforzini e com responsabilidade editorial de François Ewald, é considerada um marco na trajetória intelectual de Foucault, um dos pensadores mais influentes do século 20.
O curso, que ocorreu entre 1954 e 1955, questiona: “O que é o ser humano?” e revela um Foucault em desenvolvimento, mas já engajado em temas que permeiam sua obra, como a historicidade do ser humano e a constituição dos saberes. A análise da emergência da antropologia como eixo do pensamento moderno é um dos focos da obra.
Foucault traça um percurso que vai da filosofia clássica de Descartes até Nietzsche, abordando a crítica transcendental de Kant e autores como Feuerbach e Dilthey. Embora anteceda obras fundamentais, o curso já antecipa conceitos que se tornariam centrais no pensamento foucaultiano, como a crítica às categorias universais e a historicidade da experiência humana.
A obra também destaca a erudição de Foucault, que explora a filosofia grega, o cristianismo medieval e a tradição moderna para entender a condição humana. Ao questionar a psicologia moderna e a ideia de uma estrutura psíquica fixa, Foucault antecipa debates contemporâneos sobre subjetividade e identidade.
Celebrado um século após seu nascimento, Foucault continua a influenciar áreas como filosofia, história e sociologia, dialogando com questões atuais sobre gênero, sexualidade e biopolítica.