A programação de 25 anos do projeto Segunda Musical continua nesta segunda-feira (31/8), às 20 horas, no Teatro da Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG), com concerto em homenagem a Georges Gurdjieff e Thomas de Hartmann. A união dos dois artistas gerou um repertório singular, geralmente chamado de “Gurdjieff/de Hartmann”.
Já na quinta-feira (3/9), o público pode conferir o espetáculo sobre a força e o poder das mulheres com a bailarina Rosa Antuña. Ela apresenta “A dança da mulher-árvore”, unindo teatro, dramaturgia, artes visuais e dança às 19h30, também no Teatro.
Os músicos Artur Andrés (direção artística, flautas e arranjos), Alexandre Andrés (flautas), Luciana Alvarenga (piano e voz), Mauro Rodrigues (flautas) e Regina Amaral (piano) apresentam obras dos compositores Georges Gurdjieff e Thomas de Hartmann.
Georges Ivanovich Gurdjieff (1866–1949) foi um filósofo, compositor, místico e mestre espiritual de origem greco-armênia, conhecido por desenvolver um sistema de autoconhecimento que combinava elementos de tradições espirituais do Oriente e do Ocidente. Nascido na região do Cáucaso, passou boa parte da juventude viajando e procurando conhecimentos sobre antigas tradições, religiões e práticas esotéricas. Por volta do início do século XX, estabeleceu-se na Europa e começou a ensinar seu método, que posteriormente ficou conhecido como “Quarto Caminho”.
Na década de 1920, começou a trabalhar com o compositor russo Thomas de Hartmann (1885-1956), que se tornou principal colaborador musical. Gurdjieff fornecia melodias, ideias e material musical, muitas vezes inspirado nas tradições que dizia ter encontrado em suas viagens; e de Hartmann fazia a elaboração e a transcrição para piano. O resultado foi um repertório singular, geralmente chamado de “Gurdjieff/de Hartmann”. São peças para piano que evocam músicas do Cáucaso, da Ásia Central, do Oriente Médio, tradições religiosas e também temas ligados aos próprios ensinamentos de Gurdjieff.
Artur Andrés é flautista, compositor e cofundador do grupo Uakti, referência internacional pela criação de novos instrumentos e pela inovação na música instrumental brasileira. Alexandre Andrés é flautista e um dos nomes mais reconhecidos da nova geração de músicos mineiros. Regina Amaral é pianista, com ampla trajetória na música de câmara e colaboradora histórica do repertório de Gurdjieff. Mauro Rodrigues é flautista, pesquisador e instrumentista, com forte atuação acadêmica e autoral. Luciana Alvarenga é pianista e cantora, atuante tanto na música de concerto quanto na cena popular.
O espetáculo solo “A dança da mulher-árvore” faz parte de uma pesquisa autobiográfica em que Rosa Antuña revisita suas origens, sua ancestralidade, a história de seus tataravós, bisavós e avós maternos e paternos, até chegar à história de seu pai e sua mãe e, consequentemente, à sua própria história. No espetáculo do Zás de 3 de setembro, a coreógrafa aborda as histórias do ponto de vista das mulheres, trazendo uma paisagem histórica sobre o machismo estrutural, ainda presente na sociedade contemporânea.
Com a trajetória marcada pela investigação poética e pelo hibridismo entre diferentes linguagens artísticas, a bailarina, coreógrafa e performer Rosa Antuña foca especialmente no universo feminino. Formada pelo Centro Mineiro de Danças Clássicas, especializou-se no Centro Pro Danza de Cuba e na Palucca Hochschule für Tanz Dresden, na Alemanha. Ao longo da carreira, aprofundou os estudos teatrais por meio de imersões e residências artísticas na Dinamarca, no Rio de Janeiro e em Brasília.
Entre 2003 e 2025, Rosa Antuña dirigiu, criou e coreografou 11 solos femininos — sendo sete de autoria própria e quatro desenvolvidos para outras intérpretes. O processo permitiu à artista estruturar uma metodologia própria de criação e direção de solos que transita com fluidez pela dança, teatro, dança-teatro e palhaçaria. A expansão da linguagem plástica e visual culminou no bacharelado em artes plásticas pela Escola Guignard (Uemg), onde apresentou como trabalho final um vídeo-instalação inspirado em um dos eixos mais marcantes de sua trajetória: a “Trilogia do feminino”.
Marco de sua circulação nacional e internacional, “Trilogia do feminino” é composta por três solos de dança-teatro que discutem as complexidades, dores e transformações da mulher contemporânea: “Mulher selvagem” (2010), “Vestido” (2013) e “A mulher que cuspiu maçã” (2015). O último contou com a direção da atriz italiana Roberta Carreri e teve estreia mundial na sede do Odin Teatret, em Holstebro, na Dinamarca. A trilogia percorreu os principais teatros e festivais do Brasil, com destaque para a temporada realizada no Centro Cultural São Paulo em março de 2023.
