Um estudo da Universidade Federal de Lavras (UFLA) aponta que a inteligência artificial, que deveria facilitar a comunicação, ainda cria barreiras para pessoas surdas. O professor de Libras Thales Douglas compartilhou sua experiência ao tentar resolver um problema online, onde a IA não conseguiu entender sua solicitação, forçando-o a buscar ajuda de outra pessoa.
A pesquisa analisou chatbots comerciais, incluindo aqueles usados por instituições financeiras, e testou modelos de linguagem gratuitos para verificar se um treinamento específico poderia melhorar a interpretação da escrita de pessoas surdas, que têm a Língua Brasileira de Sinais (Libras) como primeira língua.
Os resultados mostraram que, apesar de um aumento na taxa de acertos após o treinamento, o desempenho dos modelos ainda foi inferior ao que obtiveram com textos em português convencional. Isso se deve, em parte, às diferenças estruturais entre a Libras e o português.
O professor Denilson Alves Pereira, orientador do estudo, explicou que a escrita de pessoas surdas pode refletir a estrutura da Libras, utilizando uma representação chamada Glosa, que não é um sistema oficial de escrita. A pesquisa simulou interações entre pessoas surdas e chatbots de quatro redes bancárias, revelando que os sistemas não estavam preparados para compreender as mensagens.
Após o treinamento com uma base de 55 mil conversas em Glosa, um dos modelos, o Qwen2.5-14B, alcançou 54,6% de acertos, enquanto o Phi-4-14B teve um ganho percentual significativo, passando de 0,01% para 53,6% após o ajuste. Apesar das melhorias, os modelos ainda não superaram o desempenho com textos em português convencional.
Os pesquisadores pretendem agora testar os modelos com textos produzidos diretamente por pessoas surdas, a fim de verificar se os resultados se mantêm. A coleta de dados reais apresenta desafios, pois textos acadêmicos podem misturar escrita espontânea com conteúdos copiados ou gerados por IA.