No Dia Mundial da Alimentação, celebrado nesta sexta-feira (16), produtores da agricultura familiar e líderes de cozinhas solidárias reafirmam a importância do esforço coletivo para manter o Brasil fora do Mapa da Fome.
De acordo com a Organização das Nações Unidas, o país conseguiu manter o percentual de subnutrição abaixo de 2,5% nos últimos três anos. Essa conquista é atribuída ao trabalho de iniciativas como a Cozinha Solidária Cantinho da Vovó, em Brasília, que atende mais de 800 pessoas em situação de vulnerabilidade.
Dona Maria do Cerrado, liderança da cozinha, destaca que o espaço não apenas fornece alimentos, mas também acolhimento, ajudando a resolver problemas familiares e casos de violência. “Aqui, a gente cultua o alimento como sagrado, como cura”, afirma.
A cozinha também distribui 200 cestas básicas a famílias vulneráveis, com produtos fornecidos por agricultores como Hosana Alves do Nascimento, que transformou uma área urbana em um sistema agroflorestal, produzindo hortaliças e frutas de forma agroecológica.
A articulação entre produtores e cozinhas solidárias é facilitada pelo Programa de Aquisição de Alimentos, que conecta a agricultura familiar às necessidades de quem enfrenta insegurança alimentar. Lilian Rahal, do Ministério do Desenvolvimento Social, ressalta que essa parceria garante a entrega de alimentos saudáveis em regiões carentes.
Além de promover a segurança alimentar, essa colaboração amplia a variedade de alimentos disponíveis. Hosana, que sempre teve acesso a diversos produtos, ficou surpresa ao ouvir uma criança perguntar se teria melancia em uma das entregas, evidenciando a falta de acesso a alimentos básicos.
A ministra do Desenvolvimento Agrário, Fernanda Machiaveli, lembra que a luta contra a insegurança alimentar começou com a mobilização da sociedade civil durante a pandemia, criando espaços de cozinha solidária que são fundamentais para a segurança alimentar no país.