Um estudo da Escola de Enfermagem da UFMG identificou que apenas 54,4% das mulheres entre 50 e 69 anos no Brasil realizam mamografias a cada dois anos, percentual abaixo do recomendado pela OMS, que é de 70%. A pesquisa, coordenada pelo professor Gustavo Velasquez-Melendez, analisou dados da Pesquisa Nacional da Saúde e foi publicada na revista BMC Public Health.
O câncer de mama é o tipo mais comum entre as mulheres e, segundo o Instituto Nacional de Câncer (Inca), foram registrados 73.610 novos casos no Brasil em 2023, representando 30% de todos os casos de câncer em mulheres, excluindo o câncer de pele não melanoma.
O professor Velasquez destaca que o rastreamento precoce depende de serviços de referência e acesso a recursos financeiros e tecnológicos, mas que há disparidades significativas entre as regiões do Brasil, especialmente nas áreas Norte, Nordeste e Centro-Oeste, onde as desigualdades sociodemográficas são mais acentuadas.
O estudo também aponta que fatores individuais, como idade, escolaridade e hábitos de vida, influenciam o acesso a exames de mamografia. Mulheres pretas e pardas têm menor prevalência de realização do exame (48,6%) em comparação às brancas (59,8%). Além disso, a escolaridade é um fator importante: 74,4% das mulheres com 12 anos ou mais de estudo realizaram a mamografia, enquanto apenas 46,4% das que têm de zero a oito anos de escolaridade o fizeram.
Por fim, o professor ressalta que hábitos saudáveis, como a prática de atividade física, estão associados a um maior cuidado com a saúde e a agendamentos de consultas médicas, enquanto o tabagismo aumenta o risco de câncer de mama.