Nos últimos 20 anos, o Parque Nacional da Serra da Canastra, em Minas Gerais, tem sido um importante local para estudos sobre a biodiversidade brasileira. Recentemente, pesquisadores da Universidade Federal de Uberlândia (UFU) realizaram um levantamento da tribo Lavoisiereae, que inclui plantas da mesma família das quaresmeiras e manacás.
O estudo, publicado na revista Phytotaxa em dezembro de 2025, catalogou 26 espécies, sendo 24 do gênero Microlicia e duas do gênero Rhynchanthera. A pesquisa revelou duas espécies endêmicas que ainda não haviam sido descritas pela ciência.
Uma das novas espécies, encontrada a 1,3 mil metros de altitude em São Roque de Minas, é um arbusto de até 1,5 metro de altura com flores magenta. A outra, menor, mede entre 10 e 50 centímetros e possui flores cor-de-rosa com centro creme.
A professora Rosana Romero, curadora do Herbário Uberlandense (HUFU) e coordenadora do estudo, destacou que a confirmação das espécies exigiu consultas a acervos internacionais. Ela mencionou que, durante seu doutorado, havia identificado essas plantas com outro nome, mas percebeu o erro ao analisar coleções históricas.
A escolha do nome Microlicia nakajimae homenageia seu marido, Jimi Naoki Nakajima, que também é biólogo e contribuiu significativamente para as pesquisas na região. Em contrapartida, Nakajima nomeou uma nova espécie, Bidens rosanae, em homenagem a Rosana, o que a emocionou.
O investimento em expedições de campo e na formação de novos mestres e doutores em Biologia Vegetal tem sido crucial para o avanço das pesquisas na Serra da Canastra, resultando na coleta de materiais que enriquecem coleções científicas tanto no Brasil quanto no exterior.
O Herbário Uberlandense, localizado no Campus Umuarama da UFU, possui cerca de 80 mil espécies registradas e está aberto para consultas e agendamentos de visitas. Para mais informações, acesse o perfil oficial no Instagram: @herbario_ufu.
