O número de mulheres em situação de violência doméstica protegidas por Unidades Portáteis de Rastreamento (UPRs), conhecidas como “botões do pânico”, dobrou em Minas Gerais entre agosto de 2025 e setembro de 2026. O total passou de 610 para 1.226 vítimas, um aumento de 100,98%, segundo dados da Diretoria de Gestão e Monitoramento Eletrônico (DME) da Secretaria de Estado de Justiça e Segurança Pública (Sejusp).
Esse crescimento é resultado de um Acordo de Cooperação Técnica firmado entre o Ministério Público de Minas Gerais (MPMG), o Tribunal de Justiça de Minas Gerais (TJMG), a Defensoria Pública do Estado de Minas Gerais (DPMG), a Secretaria de Estado de Desenvolvimento Social (Sedese) e a Sejusp. O acordo estabelece um fluxo interinstitucional para a gestão de risco e a fiscalização da monitoração eletrônica de agressores.
Atualmente, Minas Gerais conta com 2.950 pessoas sob monitoramento eletrônico, sendo 1.724 agressores e 1.226 vítimas com UPRs. O aumento no número de agressores monitorados foi de 72,57% desde o início do período analisado.
As vítimas protegidas estão distribuídas entre a Região Metropolitana de Belo Horizonte (762) e o interior do estado (464), com um crescimento proporcional maior no interior (36,87%).
A promotora de Justiça Denise Guerzoni, coordenadora do Centro de Apoio Operacional das Promotorias de Justiça de Combate à Violência Doméstica e Familiar contra a Mulher (CAO-VD), destacou que a ampliação do monitoramento é parte de uma estratégia coordenada para garantir a proteção das mulheres. O dispositivo permite que a vítima seja alertada sobre aproximações indesejadas do agressor e acione as forças de segurança quando necessário.
O acompanhamento contínuo dos dados é essencial para avaliar a efetividade das medidas protetivas e identificar oportunidades de melhoria na proteção às mulheres em situação de violência.
