sábado, 31 de outubro de 2026
Postado emAgro, Minas Gerais

Cerrado brasileiro perdeu 13,9 milhões de hectares de vegetação nativa

Cerrado brasileiro perdeu 13,9 milhões de hectares de vegetação nativa
Cerrado brasileiro perdeu 13,9 milhões de hectares de vegetação nativa
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O Cerrado brasileiro sofreu uma perda de 13,9 milhões de hectares de vegetação nativa, especialmente nas áreas próximas a rios e cursos d’água, entre 1985 e 2025. Essa área representa aproximadamente 26,9% do total de vegetação nativa convertida para outros usos durante esse período, conforme dados da Coleção 11 do MapBiomas, divulgados no dia 8.

Barbara Costa, analista do Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia (Ipam) e integrante da equipe do MapBiomas, alertou que a redução da vegetação pode comprometer a qualidade e a disponibilidade da água, além de tornar o ambiente mais suscetível a eventos climáticos extremos, como secas e chuvas intensas.

Entre as bacias hidrográficas do Cerrado, a do Alto Tocantins registrou a maior perda, com 2,9 milhões de hectares a menos. A bacia do Araguaia também apresentou uma significativa redução, totalizando 2,7 milhões de hectares. A formação savânica foi a mais impactada, com uma diminuição de 34 milhões de hectares, enquanto as formações florestais e campestres perderam 12,8 milhões e 3,6 milhões de hectares, respectivamente.

A agropecuária é a principal responsável pela conversão da vegetação nativa, com a área dedicada a essa atividade aumentando de 46,7 milhões para 97,9 milhões de hectares, representando 48,9% do bioma. Em 2025, a agricultura ocupava 29,7 milhões de hectares, enquanto a pecuária abrangia 53,9 milhões de hectares.

Entre 1985 e 2025, cinco estados e o Distrito Federal tiveram menos da metade de seus territórios cobertos por vegetação nativa do Cerrado. Goiás, Minas Gerais, Mato Grosso do Sul, Pará e Pernambuco se juntaram a São Paulo, que já apresentava apenas 24,1% da cobertura original do bioma. Em contraste, Piauí, Rondônia e Maranhão mantêm mais da metade da vegetação nativa do Cerrado.

Além disso, 301 municípios deixaram de ter predominância de vegetação nativa, com a agropecuária passando a dominar 61% das áreas municipais do Cerrado. A maior parte da perda de vegetação ocorreu em áreas privadas (77,7%), enquanto áreas protegidas ou de uso coletivo representaram 13,9% das perdas.

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