Pesquisador da Universidade Federal de Uberlândia (UFU) reproduziu o método artesanal de produção de tintas a óleo utilizado por pintores como Rembrandt, ampliando possibilidades para artistas contemporâneos e para a conservação de obras de arte.
O restaurador Saul Ferdinando de Oliveira Carvalho conduziu a pesquisa em parceria com a Universidade Estadual de Campinas (Unicamp). O estudo comparou tintas produzidas artesanalmente com formulações industriais atuais, a partir de receitas históricas de refinamento do óleo de linhaça.
Carvalho explica que o interesse pela técnica também se relaciona aos desafios da conservação: “uma coisa que se nota na área do restauro é que uma grande parcela das pinturas dos últimos dois séculos está em estado de conservação muito pior do que pinturas dos séculos XVI, XVII e XVIII. Teoricamente, por elas serem mais velhas, elas deveriam estar em pior estado”.
Durante o mestrado, Carvalho estudou na Universidade Complutense de Madri e estagiou no Museu do Prado, na Espanha. Lá, percebeu a fascinação dos pesquisadores pela técnica de Rembrandt, conhecido pelos empastes — camadas espessas de tinta que criam relevos e marcas de pincel.
Sem registros históricos precisos, o pesquisador recorreu a tratados de pintura de 400 anos atrás e à literatura científica. O refinamento do óleo de linhaça levou três meses, com mistura de água e areia, agitação e exposição ao sol, como fazia Leonardo da Vinci.
O resultado foi uma tinta mais densa e elástica, capaz de sustentar relevos. A pesquisa foi publicada em artigo na revista do Programa de Pós-graduação em Artes Visuais da Unicamp.
Desde março de 2024, Carvalho atua como restaurador do Sistema de Bibliotecas da UFU, trabalhando com obras raras. Ele também é doutorando em História na UFU, pesquisando acervos do Triângulo Mineiro.