Pesquisadores da Universidade Federal de Minas Gerais alertam para a necessidade urgente de medidas estruturais que tornem as dietas saudáveis financeiramente viáveis para todos os grupos sociais. Após a pandemia de covid-19, os preços dos alimentos considerados saudáveis, como os in natura e minimamente processados, aumentaram, enquanto os ultraprocessados se tornaram mais acessíveis.
O estudo intitulado ‘Food Price Trends and Projections in Brazil (2018–2026): Implications for Access to Adequate and Healthy Food’, coordenado pelo professor Rafael Moreira Claro, analisa as tendências de preços dos alimentos no Brasil e suas implicações no acesso à alimentação adequada. Os dados do IBGE mostram que os preços dos alimentos superaram a renda familiar, dificultando o acesso a dietas mais saudáveis.
A pesquisadora Thaís Caldeira destaca que essa elevação de preços é uma tendência global que agrava as desigualdades sociais e a fome. Fatores como mudanças climáticas e tensões econômicas impactam a produção e a disponibilidade de alimentos saudáveis.
O professor Rafael Moreira enfatiza que a situação atual pode piorar os indicadores de saúde e dificultar o cumprimento dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável da ONU. Ele ressalta a urgência de implementar medidas que tornem as dietas saudáveis acessíveis a todos.
Os pesquisadores sugerem a criação de programas complementares, como bancos de alimentos e cozinhas comunitárias, que podem ajudar a promover o acesso a alimentos para populações vulneráveis e reduzir o desperdício.