Alunos e professores da Escola Estadual Reparata Dias de Oliveira, em Lagoa Santa, na Região Metropolitana de Belo Horizonte, manifestaram angústia e incerteza durante visita da Comissão de Educação, Ciência e Tecnologia da Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG) na noite desta segunda-feira (24/8/26). O motivo é a possível transformação da unidade em Colégio Tiradentes da Polícia Militar (PM).
A escola, com 41 anos de história, fica no Bairro Vila Maria, em área de vulnerabilidade social, e atende 380 alunos de 14 bairros, oferecendo ensino fundamental, médio regular, profissionalizante e Educação de Jovens e Adultos (EJA) no período noturno.
Segundo o diretor Thiago Luiz Oliveira, a Secretaria de Estado de Educação (SEE) não confirma nem nega a mudança, mas informou que a escola passará a oferecer ensino médio integral profissionalizante (EMTI Profissional), com prazo de 48 horas para escolha do curso, optando-se por administração. Ele criticou a falta de diálogo e o impacto no perfil dos alunos, já que mais de 80% trabalham.
“Virou tudo uma loucura, ficamos sem saber até o que falar”, disse o diretor, que também apontou que o Colégio Tiradentes atende prioritariamente filhos e netos de policiais e bombeiros militares, o que afetaria o acesso à escola.
Professores e alunos também se manifestaram. O professor de História Mauro Soares falou em “opressão, revolta e falta de respeito”. A estudante Amanda Alves dos Santos, do 3º ano, afirmou: “Estou na Reparata há três anos e lutando para mostrar a importância da escola”. Já Eduardo Fernandes de Carvalho, do EJA, elogiou a recuperação da escola e questionou: “Para que um Colégio Tiradentes aqui? Sem sentido isso”.
A deputada Beatriz Cerqueira (PT), presidenta da comissão, cobrou um diagnóstico do governo e destacou a Lei 24.482, de 2023, que garante o ensino médio regular onde houver demanda. “O que ouvimos das escolas é sempre ‘fomos surpreendidos, não fomos ouvidos e não queremos'”, afirmou.