As redes sociais podem afetar o comportamento humano de maneiras que já ganharam nomes próprios. Os termos ‘brain rot’ (apodrecimento cerebral) e ‘rage bait’ (isca de raiva) foram eleitos, respectivamente, as palavras do ano de 2024 e 2025 pela Universidade de Oxford. Um novo episódio do podcast ‘Ciência ao Pé do Ouvido’, da Universidade Federal de Uberlândia (UFU), explica esses fenômenos.
O ‘brain rot’ descreve o impacto do consumo excessivo de conteúdos rápidos e superficiais, como vídeos curtos. Isso pode levar a dificuldades de concentração, perda de pensamento crítico e até uma sensação de ‘zumbificação’, segundo a pesquisadora Érica Mariosa.
Já o ‘rage bait’ são conteúdos criados para gerar irritação, como vídeos de desperdício de comida ou postagens polêmicas. A estratégia aumenta o engajamento, pois o ódio estimula reações rápidas, como comentários e compartilhamentos.
De acordo com Mariosa, o modelo de negócios das plataformas digitais prioriza a retenção da atenção, e o engajamento gerado pelo ódio é frequentemente mais eficaz do que sentimentos positivos. “Quando a gente dá nome para uma coisa, dá luz para uma problemática que está na sociedade e precisa ser enfrentada”, afirma.
A psicóloga Rafaela Meneses alerta que crianças e adolescentes são mais vulneráveis a esses conteúdos, pois ainda não têm maturidade emocional completa. As especialistas recomendam soluções coletivas, como a regulamentação das mídias digitais, e individuais, como reduzir o tempo de tela e praticar atividades ao ar livre.
O episódio completo, intitulado ‘Rage bait e brain rot: o que a internet está fazendo com a gente?’, já está disponível nas principais plataformas de podcast.