Uma pesquisa liderada pela UFMG aponta que, após o rompimento da barragem de Fundão em Mariana (MG), abelhas com alta capacidade de adaptação estão dominando o ecossistema local, enquanto espécies especialistas estão desaparecendo.
Os pesquisadores avaliaram áreas afetadas pelo rejeito da mineração e notaram que a quantidade de abelhas nessas regiões superou a encontrada em matas preservadas, embora isso indique um desequilíbrio ecológico. O estudo envolveu colaborações com instituições como a Universidade de Oxford e a USP.
Foram coletados 10.721 indivíduos de 88 espécies diferentes. Apesar da diversidade semelhante, a abundância de abelhas nas áreas impactadas foi maior, com uma média de 197 indivíduos por ponto de coleta, em comparação com 160 nas matas preservadas. Essa situação é preocupante, pois a predominância de abelhas generalistas cria uma falsa impressão de saúde do ecossistema.
Além disso, a pesquisa revelou que a maior quantidade de abelhas foi registrada durante o período seco, o que contraria padrões ecológicos comuns. Os pesquisadores destacam a importância da cobertura florestal remanescente como refúgio para a sobrevivência das abelhas.
Para garantir a recuperação do ecossistema, os cientistas recomendam a proteção dos fragmentos de floresta nativa e a restauração das propriedades do solo, que foram severamente afetadas pelo rejeito. A pesquisa também sugere que a recuperação vai além do plantio de árvores, incluindo a análise da saúde das colônias de polinizadores.