Durante uma audiência pública, participantes expressaram preocupações sobre a redução da Estação Ecológica do Cercadinho, que está entre Nova Lima e Belo Horizonte. Eles afirmaram que o projeto de lei proposto pelo Governo do Estado favorece a especulação imobiliária e não respeita acordos anteriores com o Ministério Público.
A reunião, realizada pela Comissão de Participação Popular, discutiu o Projeto de Lei 3.334/25, que reduz a área do parque de 224,8 hectares para 165,9 hectares. O Executivo argumenta que a proposta visa cumprir um acordo com diversas instituições, incluindo o Ministério Público e os municípios envolvidos.
Os participantes da audiência, no entanto, contestaram a justificativa do governo, alegando que a redução permitirá o aumento do adensamento populacional e a construção de empreendimentos imobiliários. Cláudia Pires, doutora em arquitetura, destacou que a especulação imobiliária já está afetando a região, citando o empreendimento Bellagio como exemplo.
Felipe Correia Gomes, engenheiro ambiental, também criticou o projeto, afirmando que a redução do parque impactará comunidades quilombolas e que o acordo de não adensamento não será respeitado. Ele e outros especialistas sugeriram que soluções de transporte sobre trilhos seriam mais adequadas para os problemas de mobilidade da região.
Gabriel Coutinho, secretário de Meio Ambiente de Nova Lima, reconheceu a importância do parque, mas defendeu a necessidade de projetos de mobilidade para atender à população. O deputado Cássio Soares (PSD) se comprometeu a apresentar emenda ao projeto para garantir que a área desafetada seja utilizada exclusivamente para obras de mobilidade urbana.
O supervisor do Instituto Estadual de Florestas (IEF), Ronaldo Magalhães, admitiu falhas na gestão do Cercadinho, mas defendeu a redução como parte de um acordo com várias instituições. A defensora pública Ana Cláudia da Silva Alexandre criticou a proposta, ressaltando a importância de proteger as áreas ambientais da especulação imobiliária.
