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sexta-feira, 28 de agosto de 2026
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Exposição no Forum da Cultura reúne carrancas, festejos populares e lendas brasileiras

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Exposição no Forum da Cultura reúne carrancas, festejos populares e lendas brasileiras
Exposição no Forum da Cultura reúne carrancas, festejos populares e lendas brasileiras

O Forum da Cultura da UFJF apresenta a exposição “Saberes do povo”, em cartaz no Museu de Cultura Popular até 28 de agosto, com visitação gratuita de segunda a sexta-feira, das 13h às 16h. A mostra reúne mais de 50 objetos que representam lendas, danças, músicas, artesanatos e outras tradições populares de diversas regiões do Brasil.

Os visitantes poderão conhecer mais de 50 objetos que representam lendas, danças, músicas, artesanatos, jogos e outros elementos das tradições populares nascidas nos rincões brasileiros. Entre as peças em exibição estão estatuetas, esculturas entalhadas em madeira e xilogravuras. O acervo reúne obras oriundas de diferentes localidades do país, como Taubaté e Roseira Velha (SP), Caruaru e Petrolina (PE), Pirapora (MG) e Tefé (AM), demonstrando a amplitude, a criatividade e a força da diversidade cultural brasileira.

Um dos destaques da exposição é o conjunto de personagens do clássico Sítio do Picapau Amarelo, de Monteiro Lobato, publicado em 1939. Figuras como Saci-Pererê, Emília, Rabicó, Visconde de Sabugosa, Narizinho, Tia Anastácia e Dona Benta, modeladas em cerâmica policromada, despertam a memória afetiva de diferentes gerações que tiveram contato com esse universo mágico. Tanto a obra literária quanto suas adaptações para a televisão desempenharam papel fundamental na preservação e popularização do folclore brasileiro, estimulando a imaginação e a criatividade de crianças, jovens e adultos ao longo das décadas.

Os visitantes também terão contato com as singulares carrancas vindas das sagradas águas do Rio São Francisco. Entalhadas em madeira, essas figuras apresentam feições curiosas, enigmáticas e, para muitos, até amedrontadoras. Grandes olhos, bocas com dentes afiados e orelhas pontiagudas estão entre as características que as identificam. Segundo a tradição, as carrancas eram fixadas nas proas das embarcações para afastar os maus espíritos que poderiam afundar os barcos. Atualmente, além de seu significado simbólico e espiritual, tornaram-se também importantes objetos decorativos.

Outro núcleo da mostra é dedicado aos festejos populares, como a Festa do Divino, o Maracatu, a Congada e a Festa de São Benedito. Essas manifestações apresentam uma estética marcada pela exuberância das cores, pela riqueza dos ornamentos e pelo caráter coletivo de seus cortejos. Em comum, destacam-se bandeiras e estandartes bordados, fitas coloridas, mastros decorados, flores, coroas, mantos e vestimentas cerimoniais confeccionadas com rendas, espelhos, lantejoulas e outros adornos. Durante as celebrações, os participantes ocupam as ruas em procissões e desfiles acompanhados por instrumentos de percussão, criando uma paisagem visual dinâmica na qual movimento, dança e ritmo assumem papel central. Parte dessa riqueza estética poderá ser contemplada nos detalhes das peças expostas.

Ao reunir esses elementos em um mesmo espaço, o Forum da Cultura contribui para a preservação de conhecimentos e costumes que ajudaram a formar a identidade cultural brasileira. São saberes que não nasceram em universidades ou laboratórios e tampouco podem ser produzidos artificialmente. Eles surgem da experiência cotidiana, da convivência com a natureza, do trabalho, da cultura e da vida em sociedade, sendo transmitidos, em grande parte, de forma oral, pela observação e pela prática.

Para o conservador e restaurador de bens culturais do Forum da Cultura, Victor Dousseau, os saberes populares são indissociáveis do Folclore Brasileiro. “No Brasil, essa relação é resultado do encontro entre as culturas indígena, africana e europeia, além das contribuições de muitos outros povos que formaram o país. Dessa diversidade nasceram manifestações como o Bumba Meu Boi, o Maracatu, a Folia de Reis, o Frevo, as festas juninas, as lendas do Saci e da Iara, entre muitas outras. É parte dessa riqueza cultural que poderá ser vista na exposição.”

A palavra folclore é de origem inglesa, criada a partir da expressão folk-lore – “Folk”, que vem do povo, e “Lore”, que significa conhecimento, saber. O termo foi cunhado pelo escritor, antiquário e folclorista britânico William John Thoms, em 1846.

O folclore é composto por algumas características elementares, tais como: ser popular; originar-se do saber cultural; ser uma tradição; ser transmissível pela oralidade e pela prática, de geração em geração; fazer parte do conhecimento coletivo e ser uma manifestação livre e espontânea de um povo.

Ele faz parte da riqueza cultural de um povo, por isso está inserido no patrimônio cultural. A Unesco (Organização das Nações Unidas para assuntos relacionados à Educação, à Ciência e à Cultura) define patrimônio cultural imaterial como “as práticas, representações, expressões, conhecimentos e técnicas junto com os instrumentos, objetos, artefatos e lugares culturais que lhes são associados e que as comunidades, os grupos e, em alguns casos, os indivíduos reconhecem como parte integrante de seu patrimônio cultural”. O patrimônio imaterial é transmitido por nossos antepassados, mantido e recriado pelas comunidades e grupos em função de sua interação com o meio em que vivem e com a sociedade.

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